Miguel Sousa Tavares e as redes sociais – a crítica da Estátua de Sal

(Por Estátua de Sal, 16/03/2019)

Na sua coluna de opinião, no Expresso desta semana, 16/03/2019, Miguel Sousa Tavares publica um artigo com o sugestivo título “De como a luta de classes vai matar a democracia”, (https://estatuadesalnova.com/2019/03/16/de-como-a-luta-de-classes-vai-matar-a-democracia/ ), o qual reputo da pior peça que li assinada pelo conhecido colunista.

O tema é as redes sociais que são para o MST uma espécie de diabo furibundo, responsáveis por todos os males do mundo actual. Assim, as redes estão a matar o jornalismo, a colocar no poder os políticos populistas de que o Miguel não gosta (eu também não), Trump, Bolsonaro, Matteo Salvini, originaram o Brexit, e irão liquidar, segundo ele, a democracia – suponho que se estará a referir à democracia parlamentar.

Mas vai mais longe. MST pinta os frequentadores das redes sociais como uma turba de trogloditas a espumar ódio pela boca, violência, boçalidade alarve, exibicionismo impante e voyeurismo vicioso e viciante, uns cobardolas seguidistas que se acoitam no anonimato para expandir as suas opiniões primárias. Perante esta aguarela pintada a negro, só me resta manifestar a minha discordância:

  1. Pois bem, caro MST, eu frequento as redes sociais, coisa que tu não fazes, e por isso opinas com base naquilo que tens ouvido dizer, ou então frequentas disfarçado de Pai Natal, para que não te topem, o que ainda é pior.
  2. E nas redes sociais vejo de tudo, o que é uma verdade elementar já que as redes não passam de um espelho, cada vez mais abrangente da sociedade em geral. Se existem lá os trogloditas que tu vês, não é o Facebook que os fabrica: eles existem no dia-a-dia das nossas vidas. Poderás dizer que, atrás do teclado do computador, poderão esses tais alarves exprimir opiniões e ataques que de outro modo não fariam e, nesse ponto, talvez tenhas razão. Mas, estará o mal na opinião que se expressa ou na existência do sentimento íntimo que a motiva? Adiante, fica para refletires.
  3. O mais grave da tua argumentação, e de muitos fazedores de opinião que pululam no espaço público, é acharem que as redes sociais são as responsáveis pelo populismo, pelos Trumps e companhia.
  4. Se o capitalismo não estivesse numa fase de refluxo das conquistas sociais da humanidade, se a desigualdade não fosse cada vez mais gritante, se o desemprego não fosse uma realidade para muitos e uma ameaça para muitos mais, se as políticas neoliberais de gestão da economia e de ataque aos Estados Sociais do pós Guerra não fossem cada vez mais acutilantes, achas mesmo que o populismo e a ascensão da direita teriam sucesso só porque a direita faz publicar fake-news no Facebook atacando os seus “bem-comportados” adversários políticos? Se a tua resposta for positiva eu direi que é uma idiotice completa.
  5. O que acontece é que, durante décadas, foi possível aos políticos do sistema gerir as opiniões das multidões e condicionar os resultados eleitorais através do controle da comunicação social, a tal que tu dizes ser “de referência” e que está a morrer. E sabes porque está a morrer? Porque, em grande parte, as redes sociais permitindo uma disseminação da informação num nível que não existia em décadas anteriores, vieram pôr a nu o papel de subserviência e venalidade de muitos dos ditos jornais de referência em relação a determinados grupos económicos e/ou partidos políticos. Já há muito que não eram isentos, só que agora, tal falta de isenção tornou-se gritante e os leitores fogem. Em Portugal, o caso do Expresso, onde tu escreves, é paradigmático deste fenómeno.
  6. Ou seja, a comunicação social mainstream, durante décadas teve o monopólio das fake-news (lembras-te das armas químicas do Saddam? Todos os respeitáveis jornalistas as tinham visto!), e agora tem que repartir tal missão com os clientes do Zuckerberg e companhia. É, de facto, um grande aborrecimento. Na verdade, os defensores do capitalismo passam a vida a louvar os mercados, mas na hora da verdade todos querem mesmo é ser monopolistas, até na produção de fake-news e na manipulação da opinião pública!
  7. E chegámos à parte final da tua prosa que é a maior parvoíce que alguma vez escreveste. A parte em que dizes que a luta de classes vai liquidar a democracia. Poder-se-ia pensar que estavas a referir-te ao conceito marxista de classe, conceito estribado nos diversos níveis económicos de acesso à propriedade (capitalistas versus proletariado, burguesia versus rentistas, etc), mas não. Tu descobriste uma nova categorização. A luta de classes dos tempos modernos é a luta entre aqueles que exprimem opiniões canhestras e primárias no Facebook, que não estudam os assuntos mas que acham que tem o direito a dissertar, em oposição àqueles eruditos como tu (suponho que te consideras inserido neste grupo) que fazem os trabalhos de casa e emitem opiniões abalizadas.
  8. Pois bem, neste caso das redes sociais, cometeste exatamente o mesmo pecado de que acusas os opinantes do Facebook e afins. É que não fizeste mesmo os trabalhos de casa. Se os tivesses feito ficarias espantado com a qualidade de muitos textos que são publicados nos murais dos seus autores no Facebook, e que não ficam em nada a dever aos que tu publicas. Eu, no meu blog, publico muitos desses textos e também escrevo para as redes sociais.
  9. Sabes, há muita gente a escrever nas redes e nos blogs porque nem todos somos privilegiados como tu, com os ascendentes de família que tiveste e que te permitiram ter acesso fácil à publicação nos jornais e à opinião nas televisões. Eu, se fosse convidado a escrever no Expresso, por exemplo, achas que ficaria atrapalhado por não saber o que escrever? E como eu, muitos outros.
  10. É por isso que te digo que nada sabes de redes sociais, as quais permitiram a muitos publicar os seus pontos de vista e debatê-los. É lamentável que te tenhas colocado numa posição de “comentador iluminado”, uma espécie de representante da aristocracia dos jornalistas portugueses, em oposição à plebe ignara e ululante que OUSA querer ter opinião. Sinceramente, deve ser mal da época, mas deves ter sido também atacado pelo vírus da supremacia, no teu caso a supremacia das luzes e da erudição. Há outros que cultivam a supremacia da cor da pele, do sexo ou de outras características físicas.
  11. Assim, concluis que a democracia está em perigo porque o jornalismo de referência está em perigo e a turba está nas mãos das redes sociais e tu não vês como se pode resolver isso.
  12. Pois eu explico-te. Talvez seja preciso que os iluminados como tu venham para as redes sociais fazer pedagogia e deixarem o pedestal onde se colocam, pondo de lado o distanciamento e a sobranceria com que tratam aqueles que os leem, combatendo assim aquilo que dizes ser o “obscurantismo organizado das massas” (sic).
  13. Esse é um tipo de ação para o qual tenho dado o meu contributo, divulgando textos de carácter político e económico, nomeadamente os teus, aqui e nas redes sociais.
  14. Já agora, em jeito de consolação, para que percebas que as massas não são tão estúpidas como apregoas, dir-te-ei que o segundo texto mais lido neste blog, desde a sua fundação há quatro anos, é da tua autoria, “Cavaco Silva: vinte anos perdidos”,
    https://estatuadesalnova.com/2016/03/12/cavaco-silva-vinte-anos-perdidos/ e teve até ao momento, 39256 leituras. É este poder das redes sociais que te escapa e este número de leitores deveria levar-te a refletir sobre aquilo que se está, de facto, a passar neste admirável mundo novo da sociedade da informação e sobre as consequências que daí irão advir no plano da política e da organização das sociedades.
  15. No fundo, ninguém sabe para onde este trajeto e este uso da tecnologia irá conduzir as sociedades humanas. Mas não é pôr – como a avestruz e como tu -, a cabeça na areia que nos irá desvendar o fim do percurso que estamos a trilhar.
  16. Para terminar espero que me reconheças o direito a ter uma opinião crítica em relação às tuas posições, apesar de talvez achares que, fazendo eu parte das “massas ignorantes”, não deveria ter o direito à opinião.

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31 pensamentos sobre “Miguel Sousa Tavares e as redes sociais – a crítica da Estátua de Sal

  1. MST tem dois ódios de estimação, evidentes e irracionais: o Facebook e, principalmente, os funcionários públicos. A Estátua reage ao primeiro (num comunicado de 16 pontos 16!), por ser frequentadora confessa de redes sociais; quanto ao segundo, aparentemente concorda sempre…

    • Concordo a 90% com o Miguel Sousa Tavares (com o blog, uns 30-40%). Foi um dos primeiros a falar sobre o efeito nefasto, e potencialmente perigoso para a democracia, das redes sociais, e na altura muitos criticaram a sua posição. Olhem agora… O homem é extraordinário. Saudações!

      • Olho, e sabe o que vejo? Que a zona Euro não tinha contraditório, o assédio continuava a ser normal e aceite, a NSA continuava a espiar toda a gente, nada se sabia sobre a realidade na América Latina, continuava uma agremiação desportiva a subornar tudo e todos, o neo-liberalismo continuava com a sua credibilidade intocada e os paineleiros com as palavras pagas pelos donos continuavam a passar sem contraditório.

    • Por acaso não concordo, se segue este blog terá visto que nunca publico o MST quando ataca a função pública. Só que não misturo alhos com bogalhos: o artigo era sobre redes sociais e não sobre função publica.

  2. O MST não estuda, não se actualiza nem prepara devidamente o que debita cá para fora. Em algumas matérias a sua ignorância é confrangedora.

  3. Pior do que este texto, só mesmo o do ataque brutal à imagem dos professores!!! Este último contribuiu bastante para apoiar os que, sem nada saberem a fundo de nada, emitem opiniões sobre tudo, todos os dias!
    Vamos lá ver onde vai chegar a democracia com este empurrãozito que o MST lhe dá.

  4. MST o pensador e educador da classe operaria , esquece-se que o jornal onde debita opinião e escreve e um jornal que não informa mas sim forma opiniões e condiciona as mesmas ,por isso quem não for mim e do contra,por essa razão os jornais estão em queda livre em vendas,não que as pessoas não saibam ler ou sejam obtusas só que estão fartas de verdades fabricadas espero o MST leia para compreender o que se passa e tenha ideias inovadoras |

  5. Tirando o futebol (é do meu clube), as opiniões do MST representam tudo o que de mau ele vê nas opiniões expressas nas redes sociais. São desinformadas, teimosas, arrogantes e preconceituosas.

  6. Concordo com a resposta dada ao MST a quem designei, há poucos meses, oxíuro de Sophia.
    Como nem sequer vejo televisão, livro-me de tipos como o MST ou o Marques Mendes e idiotas do género, cheios de dor de cotovelo por haver quem pensa pela sua cabeça e não vive na dependência das suas baboseiras. Têm sempre de as inventar para terem algo para dizer nas suas croniquetas
    As estações de tv e aqueles que são pagos principescamente para capturarem audiências com banalidades ou cavalidades (como o MST) não gostam e depreciam as redes sociais porque não as controlam e nelas se divulgam factos e ideias que os plumitivos e entertainers de serviço não sabem, nem querem saber
    Ainda não havia FB e recordo emails em que o MST chamava todos os nomes aos professores; e vi um email de um professor da Margem Sul a convida-lo o MST a um encontro para lhe partir as fuças
    Acho que o MST não tem nível intelectual nem elevação para aparecer aqui na Estátua

    • Hum?

      Nota, plim!

      Ó Vítor com essas frases típicas de typo solitário, sem TV’s c’horror! e que patrulha todas as merdas do FB e outras que tais, que escreve uns lençóis com umas teorias bastante esotéricas nos blogues, no seu e no dos outros, dizia, tem cuidadinho contigo que essas teorias doidavanas normalmente não dão bom resultado.

      Não leves a mal, mas é o que me parece.. e sabes que quem diz as verdades.

      Unabomber, &etc.
      Anders Behring Breivik’s Complete Manifesto “2083 – A European Declaration of Independence”.
      Bretton Tarrant published a manifesto called the Great Remplacement.

  7. As únicas coisas sobre as quais a meu ver faz sentido falar sobre o FB é que o seu modelo de negócio é vender os dados de quem por lá anda e que pelos vistos isso não preocupa ninguém, a arbitrariedade da censura que pratica – de que a Estátua de Sal já foi vítima – e do monopólio em que se tornou. O resto passa ao lado.

    • O conceito de democracia do Tavares é o Zé povinho colocar um papel numa caixa de tempos a tempos e os do costume proprietários dos ditos meios de informação.

      • Olha quem ele é, outro Manuel G.

        Unabomber, &etc.
        Anders Behring Breivik’s Complete Manifesto “2083 – A European Declaration of Independence”.
        Bretton Tarrant published a manifesto called the Great Remplacement

  8. Não sou da opinião que as redes sociais poderão acabar com a democracia, porém, as redes sociais poderão contribuir para outro tipo de democracia mais escrutinada. Acontece, que MST é jornalista e escritor, daí ter um certo ciume desta forma de comunicar. A democracia será sempre como nós quisermos que seja.

  9. Pois eu até vou mais longe. A internet que foi talvez a maior invenção do meu tempo é hoje talvez o maior problema do mundo. Ou pelo menos está por trás de muitos. Como quase tudo que não é regulável. Verdadeiros problemas – e não falo do muito que se comenta na espuma dos dias – como o ambiente, demografia ou migrações – não resolve nenhum. Já o que está a fazer aos cérebros das futuras gerações… Enfim, mais uma grande arma do consumismo. E ninguém nasce só para consumir como infelizmente parece ser o resumo do dia a dia de muitas pessoas. De preferência a crédito.

  10. Nas redes sociais dizem-se muitos disparates; mas nos jornais e na TV também, com a agravante de esses disparates virem encapotados num manto diáfano de erudição. O MST é um exemplo disso: escreve uns artigos bons, mas noutros – talvez a maioria – diz asneiras crassas. Ele e outros plumitivos encartados – e avençados… – querem ter o monopólio – ou melhor, oligopólio – da asneira! Nós que, não tendo direito a uma página cativa em nenhum pasquim, escrevemos nas redes sociais, pelos menos não somos pagos para isso; não temos patrão; se nos apetecer até podemos criticar o Tio Balsemão!

  11. […]

    8 – «Pois bem, neste caso das redes sociais, cometeste exatamente o mesmo pecado de que acusas os opinantes do Facebook e afins. É que não fizeste mesmo os trabalhos de casa. Se os tivesses feito ficarias espantado com a qualidade de muitos textos que são publicados nos murais dos seus autores no Facebook, e que não ficam em nada a dever aos que tu publicas. Eu, no meu blog, publico muitos desses textos [ui?] e também escrevo para as redes sociais.», …?

    Nota, 4U. Fico em pulgas para saber de quem falas tão ternamente, Manuel G., que sempre me pareceu, por aquilo que vou adivinhando, que quem chega aqui chega com o estatuto de MC vindo das catacumbas e doutros lugares do estilo é o Dieter Dellinger e outros que-que, ou quase, ou mais-piores, ou iguais, a ele-ele-e-a-ele. Entretanto, assinalo ainda que fizeste as pazes contigo mesmo desesperado que andarias aqui há umas semanas, e olha que eu me preocupei contigo!, por causa das malvadezas dos bandidos e capitalistas que mais ordenam por ali na selva do FB.

    • [Fica aqui, é do MST.]

      […]

      «A resposta a essa pergunta não é fácil. O Facebook, o Instagram, o #Twitter — o meio favorito para que os idiotas se façam eleger e governar [sublinhado, please] — são verdadeiros instrumentos do Diabo.», hum.

      @ppdpsd
      @psocialista
      @EsquerdaNet
      @_pcp_
      @_CDSPP

      &etc.

      [Bingo, tchau!]

    • Caro RFC
      Há um fruto vermelho, a tender para o arredondado que nem toda a gente tem entre varais. Já te desafiei a escrever um artigo – ou um manifesto, como queiras -, para expores as tuas ideias e/ou o teu programa político que nós publicamos logo, em grandes parangonas. Só que não sai nada, a não ser criticar tudo e todos sem que se vislumbre qual é o fio condutor de tão sibilinas prosas.

      Concluo por isso que o teu destaque à frase do MST que louvaste:

      “(«A seguir vem o exibicionismo (a par do correspondente voyeurismo, para o qual existem os exibicionistas), e a noção de que se é tão mais importante quanto se expõe a vida aos outros, por mais idiota que ela seja.» – Miguel Sousa Tavares,Nota. Grande frase, esta,)”,

      tem uma explicação de freudiano entendimento: reconheceste-te nela, de uma forma ampla e dupla, já que exibicionismo e voyeurismo assentam-te a matar pois é só o que tens feito por aqui: estás sempre à espreita do que é publicado (voyeur), para a seguir vires exibir os teus comentários, os quais revelam sempre uma pretenciosa superioridade.

      Por isso, enquanto espero a tua prosa de fundo que nunca mais chega, para assim entendermos até onde vão os teus dotes de escriba, deixo-te uma imagem ao vivo e a cores do fruto que referi no início:

      https://estatuadesalnova.com/wp-content/uploads/2019/03/tomates.jpg

      Cumprimentos da Estátua

      🙂

      • Hum.

        Nota, 4U.

        Não te erices, Manuel G., que não te serve de muito tomares as dores alheias. Sobre o assunto vejo que vai para aí uma séria confusão, seja do ponto de vista de uma observação biológica, digamos assim, ou cadavérica (um ser hermafrodita, ui?) seja no campo vasto da psi (tenho ideia de que, ao voyeur, estará associada alguma passividade, enquanto, no caso de um exibicionista, se verificará exactamente o contrário). O ponto que o MST quis sublinhar, no entretanto, tinha que ver com a “dialéctica” própria das redes sociais entre pessoas diferentes. E chegou aqui em estéreo, porque foi a frase que destaquei no #Twitter. Em todo o caso, agradeço-te mais uma vez a reiterada disponibilidade d’A Estátua de Sal mas peço-te que, pelo menos nesta ocasião, faças um desenho lindinho para que os terráqueos como eu percebam aquilo de que te queixas desde ontem (?), Ou de hoje, já não sei.

        Ah, e não te esqueças de aplaudir, ou de agradecer, o meu comentário pretérito das 6:28 que, nesta imensa humildade que me caracteriza, me parece que definirá melhorzinho a minha postura por aqui (só o entende quem tiver algumas âncoras dispersas ao longo de cinquenta anos indígenas, até 1926, mas, provavelmente, este pormenor que, aliás, o artigo do MST também assinala, esca-esca… escapou-te).

        Eis o princípio do mundo.

        ____

        1.
        VITOR LIMA diz:50
        Março 14, 2019 às 10:42 pm
        Boa ocasião para se discutir se a função de PR tem algum cabimento. A representação externa pode ser desempenhada pelo presidente da AR. Vejam como as coisas eram na CRP 1911

        2.
        RFC diz:
        Março 15, 2019 às 3:39 pm
        Hum.

        Nota. Epá, e os poderes do PR eram assim despidos porquê? Consegues pensar um bocadinho, e dizes?

        3.
        VITOR LIMA diz:
        Março 15, 2019 às 4:48 pm
        Claro que as coisas vão muito além daquela nota

        Não sou um conservador. O regime definido é democrático? Não é.

        [… poupo-te as bacoradas alucinantes com que fui brindado, então.]

        4a.
        RFC diz:
        Março 15, 2019 às 6:28 pm
        [Vá, de raspão.]

        Nota. O facto de ao PR, segundo a Constituição de 1911, ter sido consagrado um lugar um pouco mais do que decorativo resultou do facto de, em especial com a performance dos últimos monarcas brigantinos, se ter posto impropriamente o lugar do soberano no centro do jogo político-partidário. E essa era uma crítica transversal, convém lembrar, tanto dos políticos monárquicos mais interessantes como dos republicanos mais lúcidos (e também dos mais radicais, ontem como hoje, uns desbragados). Daqui resultou, digamos, um regime parlamentar, no pós-1910, cujos resultados foram também desastrosos e que, eleitoralmente, copiou o que de pior existia a nível local durante a monarquia (caudilhismo, caça ao voto, baronetes, favores e melhoramentos locais, &etc.)* e que, em muito, contribuiu para o desprestígio do próprio parlamentarismo à portuguesa. A estafada expressão sobre o equilíbrio dos poderes, que é o que temos actualmente, quer dizer isso mesmo e terá sido, portanto, o resultado de um saber de muita experiência feito. E tanto assim é, aliás, que só por manifesto apoucamento intelectual se poderá dizer que o actual PR ultrapassa largamente os seus poderes. Pelo contrário, na questão dos fogos florestais por exemplo, em que uma série de alucinados continua a apontar para o dedo, o papel de Marcelo Rebelo de Sousa foi fundamental para se manter um sentimento de coesão nacional porque o governo do PS (o poder executivo), na versão zombie de António Costa, executou-executando-mas-executou… niente.

        Asterisco. É ler para se comprender o que foi, e sabemos que ainda há cromos que é este o seu habitat em que sobrevivem, e fazer um simples movimento até se chegar ao pós-1910.

        Da série “Sugestões de leitura para a gente da Província…”

        RFC diz:
        Janeiro 17, 2019 às 5:49 pm, e seguintes.

        https://estatuadesalnova.com/2019/01/17/o-deputado-de-aveiro/#comment-12761

        4b.
        RFC diz:
        Março 15, 2019 às 6:32 pm
        Adenda, em tempo.

        Ah!, e nessa versão zombie de António Costa do executou-executando-mas-executou… niente quem é que andava por lá armado aos pardais como a estrela da companhia?

        Pois, nem mais nem menos, responde o lindinho por Pedro Marques… O Marquês de Pombal de Pedrógão como lhe chamou, e bem, o Paulo Rangel.

        [Fui.]

        • Março 16, 2019 às 11:01 pm
          Março 17, 2019 às 5:15 pm

          Nota. «Só que não sai nada, a não ser criticar tudo e todos sem que se vislumbre qual é o fio condutor de tão sibilinas prosas.», sibilinas mas pouco.

        • […]

          «E que isso o dispensa de ter uma opinião informada, dando-se ao trabalho de ler livros, jornais, de ouvir os outros, de reflectir sobre os assuntos, de consultar relatórios, estudos, enfim, de ter trabalho com o assunto. Aliás, basta seguir um qualquer debate sobre qualquer tema nas redes sociais para logo perceber que ali ninguém está interessado em debater o que quer que seja nem sequer em convencer o outro: rapidamente qualquer esboço de troca de argumentos descamba para o insulto pessoal mais rasteiro e ordinário. Não há ali sombra de democratização de opinião, de alternativa popular às elites, do que quer que seja que se possa suportar. É a mediocridade e a inveja a arrombarem a porta, já nem sequer da democracia, mas de um mundo simplesmente habitável. E é esta gente, com estes valores e esta educação cívica e política, que elege os Trumps, os Bolsonaros, as Le Pens e os Salvinis.», cito.

          Notas, duas. 1. O extracto do MST sobre as àncoras (ou a falta que elas fazem?) é este e, convenhamos, se lido na sua totalidade e compreendido é… hard. 2. Entretanto, como vi que foi hoje postado n’A Estátua de Sal um artigo do Boaventura Sousa Santos e isso tem tudo a ver com o/s typo/s amavelmente photographado/s ontem por mim, acrescento apenas que estava mais ou menos implícito para o signatário (tal como para o António Costa) que, em democracia, existe, sempre!, uma outra alternativa. Sim, ser um Unabomber &etc não é destino. Agradeçam ao senhor, pois, porque teoricamente é possível também ser integrado num esquadrão do CES, na vetusta Universidade de Coimbra.

          Unabomber, &etc.
          Anders Behring Breivik’s Complete Manifesto “2083 – A European Declaration of Independence”.
          Bretton Tarrant published a manifesto called the Great Remplacement.

        • […]

          «Ah, e não te esqueças de aplaudir, ou de agradecer, o meu comentário pretérito das 6:28 que, nesta imensa humildade que me caracteriza, me parece que definirá melhorzinho a minha postura por aqui (só o entende quem tiver algumas âncoras dispersas ao longo de cinquenta anos indígenas, até 1926, mas, provavelmente, este pormenor que, aliás, o artigo do MST também assinala, esca-esca… escapou-te).», um ippon… porra!

          Nota. Ó Manuel G, então, já agradeceste ao senhor?

          Ippon, João Pessoa – Comentários de restaurantes – TripAdvisorhttps://www.tripadvisor.pt/Restaurant_Review-g303428-d5973022-Reviews-Ippon-Joao_Pessoa_State_of_Paraiba.html

  12. Estátua de Sal 16-0 Miguel SousaTavares

    Vitória por ippon, da Democracia sobre a estabelecida “elite” com manias cada vez mais oligárquicas.

    Knock Out logo no 1° round apos 16 brutais golpes de um Blog contra uma “opinião de referência”.

    Até bastava o ponto 4, e estava tudo dito. Sem descontentamento, as fake-news não têm eficácia. As “elites” que se convençam disto: os Macron desta vida são o adubo das Le Pen. As políticas NeoLiberais dos Democratas (partido nos EUA) e dos Europeístas mais radicais são a razão dos votos de protesto em Trump e Salvini respetivamente.

    Experimentem voltar a respeitar os eleitores, a soberania, a equidade fiscal, o Estado de bem-estar social, a distribuição de riqueza, os direitos laborais, etc, e não há propaganda no Mundo, de Putin ou Bannon, que desvie um voto que seja.

    Mas para tal, era preciso “desestabelecer” o Establishment, e limitar a propaganda dos seus lacaios (FoxNews, CNN (que se tem fartado de atacar B.Sanders e a Alexandra Ocasio-Cortez), Expresso (aka newsletter do PPE), Observador, etc).

    Só que em nome do esmagamento da luta de classes (que foi a única coisa originou melhoria do nível de vida e progresso desde há 150 anos atrás) e em nome da continuação do status quo e da concentração de riqueza e do regresso ao tempo em que o berço (ou o bom casamento) decidia toda a vida do indivíduo, esta “elite” fará tudo, até mesmo colocar em risco a Democracia, ao mesmo tempo que comete a hipocrisia de acusar as suas vítimas de o fazerem só por se atreverem a publicarem o descontentamento online.

    “Comer e calar”, pelo vistos é esta a única coisa que o povinho devia poder fazer na opinião de M.S.T. Temos pena, já tivémos Abril, já temos redes sociais, e o tempo não volta atrás. Saia da sua zona de conforto e adapte-se.
    E já agora, se se preocupa tanto com o jornalismo de referência, proteste contra os falsos recibos verdes e precários do grupo Impresa, em vez de andarem a sustentar tempos de antena de vigaristas como o de Domingo à noite, que de referência só tem a falta de estatura… Nessas condições não há sequer jornalismo, quanto mais de referência…

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